
Voar ficou bem mais caro este ano. Nos Estados Unidos, as tarifas aéreas de julho estavam 25,5 por cento acima das de um ano antes, segundo o Bureau of Labor Statistics, o órgão de estatísticas do trabalho do país, e o Bureau of Transportation Statistics registrou no primeiro trimestre uma tarifa doméstica média de $428, a maior que o órgão já mediu para um primeiro trimestre. Na Europa a subida foi menor, mas continua: a Eurostat apontou alta de 3,1 por cento nos preços do transporte aéreo da UE em junho, depois de um salto de 8,1 por cento em maio.
A causa é o combustível. A IATA espera que o querosene de aviação custe em média $152 o barril em 2026, contra $90 no ano passado, o que acrescenta cerca de $100 bilhões à conta de combustível do setor. As companhias estão repassando o aumento. Elas esperam uma ocupação recorde de 84 por cento dos assentos, então não precisam dar desconto. Nos EUA, a quebra da Spirit Airlines em maio tirou do mercado a companhia que segurava as tarifas das outras em muitas rotas.
Nada disso muda a forma como as tarifas são definidas, então os hábitos que achavam assento mais barato em 2019 continuam achando em 2026.
Por que as passagens estão caras este ano
O combustível é o maior custo que uma companhia aérea não consegue negociar, e ele subiu dois terços. Em junho, a IATA cortou pela metade a previsão de lucro do setor para o ano, que agora é de $23 bilhões, e as companhias se protegeram aumentando tarifas e reduzindo capacidade, em vez de voar com aviões mais vazios. Uma taxa de ocupação recorde significa menos assentos sem vender, e era desses assentos que saíam as ofertas de última hora.
O impacto é desigual. Os viajantes americanos absorveram o maior aumento porque o mercado doméstico perdeu uma companhia de baixo custo no mesmo momento em que o combustível disparou. Na Europa, a concorrência das companhias de baixo custo segue intacta e os números nacionais oscilam de um mês para outro: as tarifas da Bélgica subiram 28,7 por cento em junho, enquanto alguns mercados menores caíram. A Ásia fica entre os dois, e segundo a IATA os países mais dependentes de combustível importado, como Índia e Japão, são os mais expostos.
Compre de duas a seis semanas antes
O erro mais comum é comprar seis meses antes para garantir. O relatório de 2026 da Expedia, feito com dados de emissão de bilhetes da ARC, constatou que as tarifas domésticas em classe econômica compradas de 15 a 30 dias antes da partida saíram em média $130 mais baratas do que as compradas com mais de seis meses de antecedência. Para voos internacionais, o melhor período de compra foi de 31 a 45 dias antes, e a economia média ficou em torno de $190.
São números dos EUA e são médias, então uma rota específica num feriado prolongado ainda pode recompensar quem compra cedo. A questão é que comprar cedo não é automaticamente comprar barato. As companhias raramente colocam um voo à venda pela tarifa mais baixa, e vão ajustando o preço conforme veem como o avião está vendendo.
Embarque numa sexta-feira
O mesmo relatório constatou que a sexta-feira é hoje o dia mais barato tanto para comprar quanto para embarcar, e que o domingo é o mais caro. Sair numa sexta em vez de num domingo economizou até 12 por cento. As viagens a trabalho costumavam encarecer a sexta-feira, e hoje há menos delas.
O horário também faz diferença. O primeiro voo do dia e o último costumam ser os mais baratos em qualquer rota, e o primeiro também tende a ser o que menos atrasa, porque o avião já está no aeroporto desde a noite anterior.
Comece pela busca no mapa
Escolher o destino antes de tudo é o segundo erro. O Google Flights tem o modo Explorar, em que você informa o aeroporto de partida e um mês, ou uma semana, e ele mostra o preço de todos os destinos num mapa. O Skyscanner faz o mesmo quando você coloca “Qualquer lugar” como destino. Os dois vão mostrar que a cidade em que você não tinha pensado custa metade daquela em que tinha.
Escolhida a rota, a grade de datas do Google Flights mostra uma matriz de duas semanas com datas de ida e de volta, e o gráfico de preços mostra se a tarifa de hoje está alta ou baixa para essa rota em relação aos últimos meses. Crie um alerta de preço para qualquer rota que você esteja considerando de verdade. O alerta faz a checagem diária por você, e a tarifa normalmente cai antes de subir de novo.
Veja o preço no segundo aeroporto
A maioria das grandes cidades tem um segundo aeroporto usado pelas companhias de baixo custo, e a diferença de tarifa pode ser maior do que o custo de chegar até lá. Milão tem Bérgamo e Malpensa, Londres tem Stansted e Heathrow, Paris tem Beauvais e Charles de Gaulle. Nos EUA, a diferença costuma estar entre um hub e o aeroporto a uma hora de carro dali.
As companhias de baixo custo precificam cada sentido separadamente, então verifique as tarifas só de ida nos dois sentidos em vez de uma ida e volta. Dois trechos só de ida em duas companhias saem muitas vezes mais baratos do que uma ida e volta, e são mais fáceis de alterar. Se você fizer conexão entre dois bilhetes separados, deixe pelo menos três horas, porque nenhuma das duas companhias se responsabiliza se o primeiro voo atrasar. Nosso guia de escalas cobre o lado prático de uma conexão longa.
Trave a tarifa com a regra das 24 horas
Para qualquer voo com origem, destino ou trecho dentro dos Estados Unidos, comprado com pelo menos sete dias de antecedência, as regras americanas obrigam a companhia a oferecer uma de duas coisas: cancelamento gratuito em até 24 horas após a compra, ou reserva da tarifa cotada por 24 horas sem pagamento. A companhia escolhe qual das duas, e a maioria oferece o cancelamento. A regra vale para companhias estrangeiras e para compras feitas em agências, desde que o itinerário passe pelos EUA.
A vantagem é o tempo que a regra dá: você compra uma boa tarifa assim que ela aparece, passa um dia verificando se existe outra melhor e cancela se existir. Fora dos EUA não há lei equivalente. Muitas companhias oferecem, por política própria, um prazo parecido para cancelar sem custo, e as regras da tarifa informam isso antes do pagamento.
Compare a companhia com uma agência
Agências online às vezes são mais baratas do que a própria companhia para o mesmo assento, principalmente em itinerários de longa distância que combinam duas companhias e em rotas dentro da Ásia, onde agências como o Trip.com têm tarifas que os sites das companhias nem sempre mostram. Compare o preço da agência com o do site da companhia antes de pagar, e inclua a franquia de bagagem dos dois lados.
A contrapartida é o atendimento. Se um voo for cancelado ou alterado, uma reserva feita por agência precisa ser resolvida com a agência, e em caso de problema o balcão da companhia vai mandar você de volta para ela. Para um itinerário simples numa única companhia, a pequena economia da agência raramente compensa esse risco. Para um itinerário complexo, pode compensar.
Some o que a tarifa não inclui
O preço que aparece na busca é o mínimo que você vai pagar. Uma mala despachada numa companhia de baixo custo pode acrescentar de $30 a $70 por trecho, e a escolha de assento pode custar de $10 a $50. O transporte de um aeroporto secundário até a cidade raramente sai de graça. Some tudo isso antes de comparar a tarifa de uma companhia de baixo custo com a de uma tradicional.
E ainda tem o celular. Para um viajante americano, os pacotes de roaming das operadoras custam cerca de $12 por dia, então uma viagem de duas semanas acrescenta uns $170 à tarifa. Isso é mais do que a maioria das pessoas paga por assento e bagagem juntos. Um eSIM de viagem cobre a mesma viagem por uma fração disso. A comparação está no nosso guia para evitar cobranças de roaming.
Use os pontos enquanto as tarifas estão altas
Quando as tarifas em dinheiro sobem e as tabelas de resgate não acompanham, as milhas passam a valer mais do que antes. Se você tem saldo, verifique a disponibilidade de assentos para resgate antes de olhar os preços em dinheiro, e fique atento aos bônus de transferência dos programas de cartão para as companhias, que aparecem algumas vezes por ano e aumentam o saldo em um quarto ou mais. Os assentos para resgate nas datas mais baratas acabam primeiro, então a mesma antecedência de compra vale para as milhas.
Antes de comprar
Todas essas dicas se resumem a flexibilidade na data, no aeroporto, no destino ou na ordem da pesquisa. Quem tem data fixa e aeroporto fixo paga o preço de 2026. Quem consegue mudar a data em um dia, ou voar do aeroporto do outro lado da cidade, ainda encontra uma tarifa parecida com a do ano passado.
Dados de tarifas do Bureau of Labor Statistics, do Bureau of Transportation Statistics e da Eurostat, divulgações de julho de 2026; previsões de combustível e lucro da IATA, junho de 2026; janelas de compra e dias da semana do relatório Air Hacks 2026 da Expedia sobre emissão de bilhetes nos EUA. As taxas de bagagem e assento são faixas típicas, não cotações.
Perguntas frequentes
Por que as passagens aéreas estão tão caras em 2026?
Qual é a época mais barata para comprar passagem?
É mais barato voar em algum dia específico?
Pesquisar em aba anônima encontra passagens mais baratas?
Dá para cancelar um voo de graça depois de comprar?
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